Golpe de Estado em Honduras, Michael Jackson morre, Daniel Radcliffe é gay.
Resolvi aparecer logo no blog antes que o mundo todo explodisse depois dessas catástrofes.
obs.: Não tenho idéia do que acontece em Honduras e não fiquei nem minimamente abalada com a morte do Michael Jackson (foram só observações pra criar um 'óóó, o fim do mundo está próximo'), mas Harry Potter gay acabou com a minha infância/adolescência/faseadulta/velhice/vidaapósamorte.
Tinha criado um compromisso mental de voltar a postar depois do primeiro exame de qualidicação da UERJ. Tudo bem que isso foi há uma semana, mas aqui estou. Não, eu não fui bem e passei a dar mais valor à minha teoria e que o mundo não vai com a minha cara, simplesmente. Mas meu sumisso nem foi especificamente por causa da UERJ. Acho que não cheguei a comentar, mas eu consegui entrar no Alfa. É um projeto da minha escola que, basicamente, significa que eu tenho aulas aos sábados e domingos e 100 exercícios para fazer durante a semana pra essas tais aulas. É incrível quando a gente acha que já não tinha mais tempo nenhum e vêm 100 exercícios dar uma porrada na nossa cara e a gente descobre que antes tinha bastante tempo. Pois bem, agora eu não tenho mais nenhum. (essa é a hora que você aponta o dedo pra minha cara, ri e diz que eu me fudi.)
Depois disso seria compreensível que eu não tivesse nada de interessante pra relatar, mas a-há, tenho pontos a destacar.
Vivenciei o real significado da expressão 'fura-olho' recentemente. E espero que todo mundo conheça a expressão porque eu não estou nem um pouco afim de explicar esse tipo de coisa bizarra que é quando você acha que tem uma amiga e de repente sua amiga resolve que 1) dar uns pegas é mais importante do que você e 2) ser sua amiga é apenas um detalhe banal. Até porque esse história se enrola com uma outra história e termina comigo chorando desesperadamente porque o ônibus atrasou e o motorista me consolando e dizendo que tudo ia dar certo. Juro que se não fosse eu a pessoa que estava chorando eu ia rir horrores da situação.
Falando em rir horrores e coisas bizarras tenho o exemplo perfeito - a festa junina da minha escola. Foi esse sábado e, como terceiro ano, nós somos o melhor da festa. Isso porque os meninos foram de menina e as meninas de menino e, por mais engraçado que isso possa parecer, eu garanto que na realidade é ainda mais. As meninas com almofadas dentro da camisa (e da calça), barba e bigode, dente pintado de preto, monocelha. Aqueles meninos de vestidinho florido com as pernas magrelas e cabeludas aparecendo, blusinha justinha com os músculos de fora, perucas bizarras ou pregadeirinhas coloridas no cabelo, batom, blush e sombra rosa-choque e abanando com o chapéu em baixo do vestido, achando o máximo o fato de 'ser fresquinho'. Simplesmente bizarramente engraçado. A festa em si nem foi lá essas coisas, tinha que ter sido mais emocionante por ser a última e não foi. Mas enfim, foi legal de qualquer jeito. E sobrou muita comida que a gente 'roubou' e levou pra aula à tarde, quando ficamos nos empanturrando de coxinha e paçoca.
Vou terminar de colocar as coisas em dia e prometo (tentar) não sumir de novo ;*
ps.: obrigada às pessoinhas bonitinhas que sentiram minha falta e vieram falar pra eu aparecer (:

Antes do post propriamente dito, pra quem boiou no último post, vamos às explicações: isso é uma lagartixa e isso é um calango. Apesar de os dois serem répteis um é consideravelmente mais bizarro que o outro. E candangos são os trabalhadores que construíram Brasília (morri de rir dessa, fato.). Aliás, não acredito que vocês me fizeram caçar essas fotos bizarras.
Smile like you mean it
Ela estava sentada no chão daquela sala entulhada de objetos. Na realidade, não era uma sala entulhada de objetos e ela sabia disso, mas seu estado de espírito não permitia que ela tivesse uma visão mais otimista sobre o ambiente. Ela pensava mal humorada como era irritante não ter nem o direito de se sentar no chão, já que uma camada que devia ter metros de espessura de um tapete felpudo não poderia ser exatamente chamada de chão. Olhou a sua volta. A escrivaninha exalava um monótono ar de antiguidade, os vinis espalhados pela parede olhavam monotonamente para ela, as almofadas coloridas buscavam inutilmente alegrar ambiente monocromático. Monótono. Então ela se irritou consigo mesma por estar achando tudo tão monótono. Normalmente a escrivaninha teria um ar misterioso e ela imaginaria as cartas que já foram escritas sobre ela, os vinis a deixariam empolgada e ela estaria ouvindo algum deles e as almofadas, bom, elas finalmente cumpririam o propósito de dar vida àquele lugar. No entanto ela se limitava a resmungar para o tapete.
Ela se sentia uma daquelas pessoas tão vazias que, eventualmente, escreviam canções sobre o quanto eram vazias na esperança de se preencherem com as próprias palavras. Então ela se iluminou de empolgação por um segundo. E não mais que isso. Se as pessoas estavam vazias, sobre o que escreveriam? Sobre o que ela escreveria? Era patético. Vazio não preenche vazio. Pensou então em ouvir uma canção de alguém que não estivesse vazio. Mas que propósito haveria em se preencher com o preenchimento alheio? Esse é o tipo de coisa classificada como individual. Emprestar sentimentos não ia funcionar.
Da janela entreaberta entravam os últimos raios de sol daquele dia. Amarelados como só os raios do pôr-do-sol podem ser. Na faixa de luz que se estendia sobre o tapete e tocava a ponta de seus dedos dos pés ela podia ver delicadas partículas de poeira dançando e se distanciando. Sentia o fraco calor lhe tocando a pele. A leve cortina de renda balançou suavemente enquanto um pequeno sopro de vento entrava pela janela, fazendo as partículas de poeira dançarem um ritmo mais agitado. Com a pequena faixa de calor aos pés e a brisa fazendo-lhe cócegas ao rosto, ela sorriu. Um sorriso sereno de quem descobre a felicidade em pequenas coisas. No tudo. Ou no nada. A felicidade de quem se descobre. E descobre que a própria felicidade depende de ninguém além dela mesma.
