às 20h57

Made in China

Pensem comigo: qual é o sentido em ficar numa sexta a feira à tarde na escola, tendo que gastar dinheiro, virar uma sopa total de baixo do sol, se cansar tendo que voltar pra escola no sábado de manhã e tudo isso pra assistir uma aula de sociologia? (ênfase no 'uma' e no 'sociologia'). Bom, eu fui, obviamente, pelos míseros pontos que ela valia (eu e minha ligação 'emocional' com os pontos...), mas, considerando-se que sociologia é uma matéria quase inútil (apesar de ter sido um alívio substituir a filosofia), acho que o maior aprendizado é: vai se acostumando, minha filha, porque ano que vem sua vida, seu ar e tudo em você vai se resumir à palavra 'escola' e você precisa se acostumar a se conformar com coisas que você nunca vai usar na sua vida porque boa parte do vestibular se resume a isso e boa parte da sua vida se resume ao vestibular.
No fim das contas, além de a aula ter sido legal, eu acho que realmente gosto de sociologia. Só não gosto dos sacrifícios que tenho que fazer por ela. E pode acreditar, são muitos. Mas o que na vida não são sacrifícios?

Falando em escola, eu estou fazendo um trabalho sobre a China Imperial, as dinastias e tudo mais. O mais legal é que não é um trabalho qualquer, é o 'Entrando na História'. E isso significa fazer um vídeo com as informações e com fotos e vídeos nossos literalmente entrando na história, ou seja, vestidos de chineses. E vocês não têm idéia de como é legal vestir uma camisola de seda, passar pasta d’água na cara, se encher de lápis de olho, blush e batom vermelho e passar a tarde toda tirando fotos idiotas com seus amigos.
No sábado que eu fiz esse trabalho (e vou continuar fazendo amanhã) tinha uma festinha aqui no meu bairro e eu tinha combinado com meus amigos que eles viriam aqui pra casa pra gente ir à 'festa' (ênfase nas aspas). Aí estávamos eu e a Angélica super arrumadas e o Pedro dizendo 'vamos pra outro lugar?' desde a hora que chegou aqui em casa. Mas não, nós vamos pra festa!
- Tá tão quieto pro lado de lá... Tem certeza que tem festa?
- Pedro, se não tiver a culpa é sua!
Bom, tinha uma festa. Ou melhor, a estrutura dela. Tudo bem que todo ano é ruim, mas esse ano se superou. Tinha tipo, umas dez pessoas, nove das quais eram pirralhos(as) fazendo a linha 'oi, eu sou uma pré-adolescente muito estilosa apesar de ter, tipo, uns 10 anos'. E no momento que nós pisamos na festa a gente disse: 'é, vamos pra outro lugar'. Demos uma voltinha só pra dizer que fomos à festa e eu liguei pro cinema pra saber se ainda tinha alguma sessão. Tinha uma em poucos minutos e nós saímos correndo (literalmente) pela rua deserta todos os três com problemas conjugais com os sapatos e o vento não sendo muito simpático com meu vestido. Mas lá fomos nós e assistimos O Reino Proibido (ou alguma outra coisa proibida, não sei).
O filme é do Jackie Chan então já é engraçado por natureza. Mas o mais divertido de tudo é que era, tinha que ser, uma paródia de Senhor dos Anéis. Desde o início eu e a Angélica já estávamos nos divertindo comparando os personagens e pensando 'agora só me falta aparecer um Gandalf!'. Quando eis que surge um ser todo de branco, em um cavalo brando no meio da floresta e com o que parecia serem cabelos compridos e brancos (na verdade era um capuz) e nós começamos a rir desesperada e escandalosamente dentro do cinema. Pra completar, como a história de passava na China Imperial, toda hora aparecia alguma coisa que eu tinha feito no trabalho mais cedo naquele dia e eu me divertia mais ainda.

Essa semana não foi tão divertida graças à combinação TPM + greve de chocolate (derrotada pelo irresistível cheiro do Talento que meu pai trouxe ontem) + umas 10 provas na semana (sem hipérbole) + 3564 trabalhos na semana (com hipérbole). Mas eu sobrevivi. Falta sobreviver à amanhã quando, além disso tudo eu vou fazer um teste de dança (!!!) pro Jogral.



obs.¹ E eu sei que não podia/devia postar fotos do trabalho ainda, mas eu não resisti.
obs.² Poxa, minha novelinha acabou hoje. E nem foi um final tão super super... /belezapura.
obs.³ A Madah me indicou no BlogDay. Nem preciso dizer que eu fiquei super feliz além de achar super chique, né? Obrigada mesmo Madah!









às 02h01

(N)Aquele lago

Não é que fosse um lago diferente a cada ano ou época do ano. Não é que fossem vários lagos. Não é que os lados do lago se invertessem ou as árvores a sua volta se movimentassem ruidosamente. Não é que o céu sobre ele ficasse mudando de cor. Não é que as águas se balançassem, e corressem, e balançassem, e fugissem, e refletissem, e brilhassem de modo diferente a cada minuto.
Porque então ele podia ter diversas fases pra mim?
Na primeira. Músicas, cores, brinquedos, um trem e mais cores. Eu corria, brincava, pulava e insistia. ‘O trem pai, por favor’. Eu amava o trem. Bicicletas, e pão pros peixinhos. A ponte. Eu sempre amei pontes. ‘Cadê a preguiça mãe?’. Eu já tinha uma certa familiaridade com preguiças de épocas passadas. E as músicas. Mas aí a gente tem que ir embora pra casa. Almoçar. Crescer.
Depois as cores ainda estavam lá, e as crianças correndo, e o trem e a música. Mas não era eu a criança. Eu? Banco, fofocas, risadas. Pipoquinha pros peixes. ‘Sério que aquilo ali na árvore é um mico?’ ‘Onde?’. Mais histórias, e jogos, e brincadeiras e artesanato. Bonecas de pano, que gracinha! E tintas. E a ponte. Eu sempre amei pontes. E tintas também. Vamos almoçar na sua casa ou na minha?
E parou. Tempo. Sono. Nada de lago. Nada de amiga. Nada de nada.
Lá é perigoso, é muito deserto. Tchau peixes.
Um dia. Frio e vento. Palavras. Água. Árvores. Algodão doce. E pipoquinhas pros peixes. E a luz lá fora ia embora enquanto acendia aqui dentro. E frio. Me aquece. Aqui dentro. E mais palavras. E mãos. E lábios. Frio. A água. E a ponte estava lá. Eu sempre amei a ponte. Mas tinha outra coisa pra amar. E árvores e a luz amarelada. Ou seria azulada? Não consigo lembrar.
E parou. Sem tempo, sem hora marcada.
Agora lá é perigoso. Mas só pra mim, só aqui dentro.
Lá continua sendo lá. Com as cores, as árvores, as luzes, os peixes, a água e a ponte. Mas é só lá. Não é o meu aqui. Aqui dentro. Mas é lá.
Quem mudava era eu. Sou eu.
Mas e se eu pudesse escolher?












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