ās 20h43

Meus professores avisaram que nós teríamos uma 'outubrite'. Aquela coisa quando em outubro nós ficaríamos desesperados, pensando ser totalmente incapazes de passar no vestibular e achando que não sabemos nem quem descobriu a América.

Meu professores são TÃO burros.

Eu estou total e completamente desesperada, não sei nem quem descobriu o Brasil e nós estamos em dezembro.
Professores adiantadiiinhos.

A minha prova específica da UERJ é nesse domingo e eu não estudei a semana inteira (e não é como se tivesse morrido de estudar nas últimas semanas). Semana que vem é a UFF, natal, UFV, ano novo e UFRJ. Aí acaba. Ou, peloamordedeus, eu PRECISO que acabe! Acabe do jeito certo, comigo mudando pro Rio/Niterói e fazendo uma boa faculdade.

Ah é, nem cheguei a informar quando escolhi minha carreira, né? Direito.
(agaist all the guesses)

Esse é o momento do ano que eu reviro meu blog e agenda tentando lembrar de cada dia que passou, esperando segurá-los na ponta dos dedos antes que os números no calendário e um pouco da minha vida mude. Mas nesse ano, em que tudo vai mudar de alguma forma (e eu espero que mude muito), em que tanta coisa aconteceu, tantas risadas, sorrisos, lágrimas, festas, aulas, brigas, reconciliações e mais brigas, palavras, olhares, toques, pensamentos, finais e recomeços aconteceram, eu não tenho nada. Eu não tenho relatos num blog, horários numa agenda nem nostalgia aqui dentro.

E eu sei que é um ano que eu vou querer guardar na memória, cada minuto. Mas eu nunca disse que tinha uma boa memória.
Se eu fossse uma pessoa disciplinada, eu não teria que ter abandonado o blog esse ano pra tentar da conta do que eu dei e de tudo que eu não dei. Mas eu nunca disse que era uma pessoa disciplinada.

Eu não senti aquele apertozinho de final das aulas mesmo sabendo que era o último 'final das aulas' que eu teria, não chorei no último dia quando estava todo mundo se abraçando e não chorei na formatura. E eu até queria ter chorado porque quando você sente as coisas o suficiente pra chorar, você vive tudo com mais intensidade, e eu queria muito intensidade agora.
Mas eu sorri, sorri muito. Sorri com meus amigos, com meus professores, com a minha família (os coitados sofrem com meus sorrisos mal-humorados e comentários sarcásticos, mas são sorrisos). Sorri durante as aulas e no final delas e sorri na minha formatura. Na minha linda, não-perfeita, maravilhosa festa de formatura que reuniu num salão lindo as pessoas que eu mais amo. E, eu tenho que fazer esse comentário, me sentir realmente linda é inédito e maravilhoso.

Eu não voltei, como vocês viram, tem uma longa lista de provas pela frente que só acaba dia 10 de janeiro, por isso eu não respondi os comentários nem dei cara de gente viva pra esse blog. Mas eu estou aqui - viva e esperando que minha tênue esperança tenha fundamento e eu passe no vestibular pra poder dizer que tudo valeu a pena.

Se eu não passar não é como se nada tivesse valido a pena, valeu tudo que eu senti, vivi e aprendi, mas seria um obstáculo não superado e mais um ano para superar. Mas eu não quero pensar nisso, aliás, ando pensando nisso demais. Como disse meu professor de física (e minha mãe de forma menos científica e reflexiva) - pensamente positivo, quando você realmente acredita, cria ondas construtivas. Então o que você acredita faz quem você é e alcança o que você quer. E isso, meus amigos, é física quântica (y)

Eu vou passar no vestibular.

Vizualizem ondas respondendo questões de história, português, fazendo uma redação brilhante e eu toda chique de terninho sendo uma advogada cheia da grana.

 ps.: Daqui há 10 dias o unstoppable faz 3 anos ♥











ās 21h40

A prova da UERJ é daqui a alguns dias e o ENEM também está perto. Vou fazer alguma coisa por mim e não aparecer aqui por uns tempos. Quer dizer, oficialmente, porque sumida eu já estou há tempos. Espero que vocês entendam, desculpem os comentários não respondidos e não esqueçam de mim (:
E, só pra não perder o costume, uma coisa que eu escrevi há um tempinho.
(e, só pra não perder o costume [2], não tem um título)

________

Ela estava sentada em uma cadeira baixa de madeira escura e estofado laranja com um livro de química em cima da mesa redonda de mesma madeira escura em frente. Se ela não estivesse tão ocupada pensando em haletos e alcenos, grifando frases sobre fórmulas empíricas com seu marca-texto fosforescente e bebendo seu suco de abacaxi teria percebido como era estranho se sentir tão confortável e calma estudando no meio de um shopping que nunca havia estado mais cheio. Pessoas lotavam cada centímetro quadrado a sua volta. Com um pouco mais de atenção percebeu que essas pessoas eram casais. Mãos dadas, papéis de presente e beijos para todos os lados. Numa epifania digna de Clarice Lispector ela percebeu, finalmente, que era dia dos namorados no planeta cor-de-rosa onde esse tipo de coisa acontecia. Voltou sua atenção para a química. Ou tentou. Agora ela estava distraída rindo ao finalmente entender o motivo pelo qual a vendedora da loja tentou lhe vender um modelo masculino quando ela foi comprar um moletom. Sugou o final do suco pelo canudo ouvindo o barulho que as últimas gotas faziam ao fugir do copo para os seus lábios.

Ele tinha acabado de pegar um suco e alguma coisa de presunto e queijo para comer e estava em pé, com as duas mãos ocupadas e olhando para os lados, procurando onde se sentar. Quase todas as outras pequenas mesas de madeira estavam ocupadas por casais e não era como se ele tivesse outra escolha se não sentar-se naquela que era ocupada por apenas uma garota, um livro e um copo vazio, mas ele definitivamente ficou feliz por isso. Quando ele se aproximou da mesa os olhos da garota se ergueram e ele se apressou perguntando se podia sentar-se antes que ela imaginasse que ele era o garçom servindo aquela coisa de presunto e queijo na sua mão. Ela respondeu com um simples ‘uhum’ e um sorriso simpático e voltou os olhos para o livro.

Apenas os olhos, pois sua atenção estava totalmente voltada para aquele estranho incrivelmente atraente sentado a sua frente. Ela sentiu um calor subindo por suas bochechas e tentou esconder o rosto apoiando os cotovelos na mesa. Seus olhos focavam fixamente um ponto da página abaixo deles. O garoto, por outro lado, comia tão devagar como nunca comera na vida sabendo que, ao acabar, não teria mais desculpa para continuar sentado ali. Ele intercalava seus olhares entre a garota e as vitrines com grande esforço para que ela não sentisse o olhar fixo sobre ela. Os cotovelos e as vitrines tinham sucesso – nenhum dos dois, ocupados em seus disfarces, percebia o olhar do outro.

O garçom se aproximou da mesa para recolher o copo da garota e perguntar se ela queria mais alguma coisa. Ela não queria e o garçom se foi, mas a pergunta a fizera levantar os olhos. Aquele garoto e aquela garota se distraíram com os olhares mútuos. Esqueceram de olhar para os lados, esqueceram o rubor, o livro e os sucos e sorriram um para o outro.

Do outro lado do salão, em um canto próximo a parede, a garota que ainda estava distraída da química observava aquela e cena. Os dois sorriam, as primeiras palavras surgiam. Seus lábios desenharam um pequeno sorriso agridoce. Um sentimento tão grande havia surgido ali, tão próximo e, ao mesmo tempo, tão distante dela. Ela voltou sua atenção para a química deixando o sorriso esmaecer.














01/12/2009 a 31/12/2009

01/08/2009 a 31/08/2009

01/07/2009 a 31/07/2009

01/06/2009 a 30/06/2009

01/05/2009 a 31/05/2009

01/04/2009 a 30/04/2009

01/03/2009 a 31/03/2009

01/02/2009 a 28/02/2009

01/01/2009 a 31/01/2009

01/12/2008 a 31/12/2008

01/11/2008 a 30/11/2008

01/10/2008 a 31/10/2008

01/09/2008 a 30/09/2008

01/08/2008 a 31/08/2008

01/07/2008 a 31/07/2008

01/06/2008 a 30/06/2008

01/05/2008 a 31/05/2008

01/04/2008 a 30/04/2008

01/03/2008 a 31/03/2008

01/02/2008 a 29/02/2008

01/01/2008 a 31/01/2008

01/12/2007 a 31/12/2007

01/11/2007 a 30/11/2007

01/10/2007 a 31/10/2007


+++ Dez.06 a set.07