ās 20h28

Sobre pessoas, dias e coisas

Digamos que ultimamente eu não tenho feito coisas lá muito interessantes, até porque eu fico o dia todo no colégio, estudo pro colégio, ou arrumo coisas do colégio o dia todo então... Enfim, isso foi um 'acostumem-se com posts relacionados a isso'. (Ou minhas filosofias de momentos-fotossíntese, whatever). Mas, se nos primeiros dias de aula eu ficava absorvendo via osmose tudo que o professor falava e escrevia (oi, eu faço fotossíntese e osmose), já reparei que minha atenção vai evaporando aos poucos com os dias e agora meu celular é cheio de fotos de matérias que eu não copiei do quadro. Culpa dos meus amigos retardados que me fazem conversar (ó, vítima cofcof). Ok, a parte da vítima é mentira, mas a desatenção+retardos é verdade. Num desses dias monótonos eu estava na aula de português batendo um papinho agradável com meus amigos (quemepedempracitarnomes: Gabriel e Rafael) quando a professora fala algo sobre acre (o adjetivos, não o estado) e segue o diálogo:

Rafael: O Acre é um país, né Mih?– (todo mundo olhando com cara de medinho) – Ah, não, é uma cidade!
Minutos depois...
Rafael: Mas o Rio Grande do sul não fica no sul, fica do lado do Rio Grande do Norte. Eu vi no mapa! (enquanto escrevia na mesa as abreviações ‘RGS’ e ‘RGN’)
Depois de convencê-lo que Acre é um estado:
Rafael: Mas se tem o estado Acre tem que ter uma cidade chamada Acre!
- ???
Rafael: É, tem o Estado e a cidade do Rio de Janeiro, São Pa...
Mih: Legal, você já foi na cidade de Minas Gerais? Bonito lá, né...

Gabriel: Qual a capital de Rondônia?
Rafael: éééahn...
Gabriel: Dica: começa com ‘P’
Rafael: Piauí? Paraná?
Gabriel (num surto de pena): ‘P-o’
Rafael: Polônia?
(ok, eu também não sabia, mas depois de ‘Polônia’ eu poderia dizer qualquer coisa e parecer inteligente)

Rafael: Então fala, qual é a capital do Japão?
Gabriel: Tóquio.
Rafael: PASOKS Claaaro que não, Tóquio é um país!

Rafael: Qual é a capital da Rússia?
Mih: Rafael, pra você perguntar uma coisa, você tem que saber a resposta.
Rafael: Mas eu sei!
Mih: Moscou.
Rafael: OOOE ERROU! É Berlim.
Mih: Não. ._.
Gabriel: Berlim é na Alemanha, Rafael ¬¬
Rafael: É? :T

Eu não sabia se saia correndo de tanto medo dele nesse momento ou se chorava de tanto rir. O Rafael alegou que o ar condicionado tinha congelado o cérebro dele (o que não faz sentido apesar daquele ar realmente parecer um mecanismo de criogenia), mas, em sua defesa, ele sabia a capital de Israel. (não vale, ele é judeu)

Depois de fotossíntese, osmose e criogenia já deve ter dado pra reparar que eu tive prova de química e biologia hoje (ou não). Enfim, eu não faço a mínima ideia de se eu fui bem ou mal, mas me senti tão bem quando corrigi três questões de química que eu tinha feito errado sem reparar que fiquei com a sensaçãozinha de que fui bem. O que foi bom pra me deixar animada pra ir pra festa de aniversário da minha escola depois da prova. Acho que eu ainda não assimilei bem o fato de que foi a última, de que eu estava lá, no topo da cadeia alimentar acadêmica, que todos os pirralhinhos olhavam pra gente do MacedÃO (e de roubar bolo das mesas deles), que pular e gritar 'UH-HU É O MACEDÃO' é ainda mais mágico do que pular e gritar 'UH SEGUNDO ANO' era, de que foi a última festa, a última vez que eu ia dançar até suar por todos os poros e ficar toda descabelada no pátio da escola e abraçar todo mundo e pular e... é eu ainda não assimilei, se não já estaria chorando de saudades antecipadas.

Mas, num lado mais 'escola' da escola, minhas aulas extras têm me deixado realmente cansada. Eu faço curso de aprofundamento na parte da tarde, isso significa que eu saio de casa às 6h e volto às 18h. Obviamente, eu fico cansada. Mas isso não é nada óbvio pra mim porque eu nunca achei que estudar cansasse. Enche o saco às vezes, mas cansaço físico eu me recusava a acreditar que desse. Mas quando eu chego em casa não consigo levantar do sofá até acabar House, ou seja, nove horas da noite porque durante uma hora e meia eu estou cansada e depois resolvo que não vale à pena levantar pra fazer algo útil se eu vou voltar em meia hora pra ver House. E lá eu crio raízes e só vou estudar depois de tudo isso. Conclusão: eu durmo em cima das apostilas todo dia. Além do que, essas aulas são carinhas, mas eu tenho medo de sair delas pra ter mais tempo pra estudar em casa e continuar fazendo fotossíntese no sofá e não produzir nada. Pra melhorar, meu professor de Biologia venceu a batalha na minha cabeça House x Jornal contra meu professor de Geografia apesar de eu ter plena consciência de que devia estar vendo jornal. Fora o fato de que eu preciso decidir que curso eu quero não apenas pro vestibular daqui a alguns meses, mas pras provas específicas da minha escola daqui a algumas semanas. É, eu continuo ferrada.

Mas amanhã tem churrasquinho na casa da minha amiga entããão... abstrai e carpe diem.
(Que estranho, uma versão não paranóica de mim)

Ps.: SPOILER episódio 5x19 Grey's Anatomy.

Chorei litros hoje porque perdi meu futuro marido pra Meredith Grey.
Ok, chorei porque foi a coisa mais LINDA da face da terra. E eu que achei que não pudesse ficar mais viciada em Grey's do que eu já era.











ās 16h27

Leia nas entrelinhas

Quando eu era criança, não entendia a expressão 'leia nas entrelinhas', eu sempre achei que o que as pessoas estavam dizendo era 'leia nas estrelinhas'. E assim eu fiz. Quando eu me sentia feliz, as estrelinhas traduziam toda a minha felicidade. Alegres e brilhantes. Quando eu estava triste, as estrelinhas eram melancólicas transparecendo para quaisquer outros olhos que as admirassem esse sentimento. Ou talvez o camuflando com sua beleza. Afinal, quem liga para um pouco de lágrimas diante de infinitos pontos brilhantes? É só um pouco de água salgada. O mar também tem água salgada e fica muito mais bonito com os pontos brilhante nele refletidos.
Grandes sentimentos se protegendo em pequenos atos. São realmente grandes sentimentos? Leia nas estrelinhas. Olhares, sorrisos, desejos - leia nas estrelinhas.

Um dia eu finalmente aprendi: EN-trelinhas. Pequei um livro, folhei as páginas, li cada linha. Os personagens se amavam. Aquilo não estava escrito, a tinta nas folhas não formava a palavra 'amor', mas eu sabia que sim. Olhei entre uma linha e a linha seguinte. Olhei, virei a cabeça na esperança de encontrar algo a mais, apertei os olhos. Eu havia encontrado o 'algo a mais', eu sabia que aqueles dois se amavam, mas definitivamente nada nas entrelinhas me dizia isso. Eram espaços em branco no papel, mais nada. Espaços em branco nas palavras dos personagens me diziam aquilo, espaços em branco ocupados pelas reticências me diziam aquilo, espaços em branco naqueles corações me diziam aquilo. O brilho branco cintilante das estrelinhas me dizia aquilo. Eu não havia lido nada nas entrelinhas. Aliás, sentimentos não têm linhas. Sentimentos têm sorrisos, olhares, sóis, luas – estrelas.
Então eu ainda acredito naqueles pontos brilhantes para brilhar, ofuscar, transparecer. Sentir.
Leia nas estrelinhas.

Observações aleatórias:

Meus amigos ficaram muito ofendidos quando eu disse que não ia postar sobre ter saído com eles porque não é uma coisa muito interessante de se escrever por mais interessantes que eles sejam. Mas, eu sou uma boa pessoa e me divirto com eles, entãão: Oi, eu saí com meu amigos, nós assistimos Mamma Mia, engordamos uns 3kg e foi divertido. Pequeno diálogo feliz:

- Cadê meu sapato?
- Cinderela.
Dez minutos depois...
- Cadê meu sapato?
- A nova Cinderela.
Duas horas depois...
- Cadê meu sapato?
- ...
- Para sempre Cinderela, pô!

Ps.: Caso o post passado tenha causado a impressão contrária, eu gosto muito sim de metalinguagem e também acho muito divertido e  inteligente. Aliás, foi um post metalinguístico tentando se disfarçar.











ās 16h13

A metalinguísticidade da coisa

Já repararam como os autores da tradicional literatura brasileira adoram ser metalisguísticos? Se você pára de rabiscar no caderno por um minuto durante a aula de literatura e escuta o que a professora diz você repara: Brás Cubas, o defunto autor; São Bernardo e a (porcaria) de história de um homem que tem uma porcaria de vida e resolve escrever um livro sobre ela (porque todo mundo adora ler as porcarias chatas da vida alheia, claro)¹; Dom Casmurro fugindo de sua monotonia e tentando lembrar do passado com seu livro. E lá se vão mais tantos exemplos que meus rabiscos no caderno durante a aula de literatura não me permitem saber.
E se eu me entediasse e resolvesse escrever a minha vida? Será que as pessoas iam morrer de rir (nem digo que eu seja lá muito engraçada, mas ver as pessoas se ferrando às vezes é divertido) ou iam simplesmente morrer de tédio? Ainda bem que eu não tenho tanta ousadia (leia-se, tenho excesso de preguiça pra escrever), até porque minha vida não é um livro aberto (trocadilhoRÁ!) por mais que esse blog sugira o contrário.

Lembro quando no primeiro ano² me ensinaram crônica na aula de redação e me mandaram fazer uma. Desespero total! Eu nunca tinha escrito uma crônica - pelo menos não conscientemente. E minha cabeça vagou por esses autores metalisguístas. Ok, mentira, eu pensei num livro de criança em que o garoto escreve uma redação sobre o fracasso da sua redação (não sou culta, oi.). Enfim, pensei cá com meus modestos neurônios, vamos de crônica metalinguística sobre meu desespero por não saber o que escrever. Pensamento positivo poxa, de zero não passa. Depois de linhas de viagem da redação que envolvia até O Apanhador no Campo de Centeio e terminava com uma indagação sobre a minha genialidade como autora (?!) a professora (incrivelmente) adorou fazendo eu me sentir o máximo dos máximos.
Moral da história? Não sabe o que escrever? Escreva. No final você apela pra metalinguísticidade da coisa e, com Dom Casmurro ou livrinho de criança, redação nota dez ou um post sem sentido, suas habilidades literárias jamais serão questionadas.
(ou não).

¹ Me senti super hipócrita nesse ponto. Oi, isso é um blog, EU escrevo as porcarias da minha vida aqui. Mas, em minha defesa, minha vida não é uma porcaria e, de qualquer forma, ninguém obriga as pessoas a lerem meu blog pra fazer prova de literatura.
² Detalhe para minha memória supersônica (?) que lembra de uma redação de dois anos atrás.











ās 01h18

17 anos e (não) fugi de casa

Então eu finalmente tenho 17 (há 10 dias atrás, mas vamos ignorar o detalhe). Sempre achei 17 uma idade tão legal; as pessoas saem de Hogwarts com 17, Edward Cullen tem 17, as pessoas de Gossip Girl (fingem que) têm 17, eu posso fazer merda e não posso ser presa. Ou não.
Eu não tive nem bolo de aniversário, mas foi um dia lindo. Almocei com a minha irmã e depois fui encontrar com meus amigos no shopping. Muita gente ainda estava viajando, mas eu fiquei tão feliz com as pessoas que foram. Assistimos 'Noivas em Guerra' (que ia ser 'Sim Senhor', mas os milhões de meninas preferiram o outro). O filme nem é bom, mas pareceu um dos melhores por causa das companhias. À noite eu encontrei com meus pais e a gente IA comer uma pizza, mas depois da espera enorme na Vivo nós nem fomos, mas eu ganhei um celular lindo. Estou tão feliz com ele que já estou até parecendo metida, mas é incrivelmente mágico começar a tocar Paramore no meio da rua 'só' porque alguém me ligou. Recebi tantos scraps, ligações e mensagens fofas (algumas com umas coisas meio estranhas tipo 'menos juízo porque você tem muito' e 'paz, amor e sexo' (WTF!?) ASOPASKOPAS) e ganhei presentes tão lindos dos meus amigos que, no final do dia, eu senti, sem querer soar clichê (mas já soando), que meu presente mesmo era minha sorte de ter eles comigo.

Dois dias depois foi aniversário da Angélica ♥ Eu saí pra comprar o presente dela e tomei a maior chuva da minha vida (sombrinha voando, vento, rasteirinha escorregando, blusa branca e água: não é uma boa combinação), mas sobrevivi. Teve um churrasco de aniversário na casa dela que foi realmente bom.
A partir daí eu venho sobrevivendo com meus enormes 17 anos, tentando frustradamente colocar minhas matérias em dia e me divertindo na medida do possível. Como ontem, que minha amiga dormiu aqui em casa. Nós fomos dar voltinhas pela rua, ver os peixes, alimentar patinhos fofos, apresentar as cotias pra ela, tomar sorvete e falar até ficar com a garganta seca. Hoje de manhã eu tive a primeira prova do 3º ano e estava realmente fácil. Tudo bem que deram uma folga e foi só interpretação de texto e redação, mas mesmo assim fácil. Só estou um pouco preocupada com a redação porque a de todo mundo ficou gigante e a minha ficou pequena e, quem lê aqui sabe, NADA que eu escrevo fica pequeno, convenhamos. Me senti o máximo acabando a prova cedo e indo embora, porque eu sou sempre a última a sair. Olhei pra aquele bando de gente torrando o crânio na redação (daqueles que estariam fazendo um problema de física felizes), pensei 'rá, escreve otário! beijomeliga' e fui embora feliz (H)
Agora à noite eu fui no aniversário de uma quiança fofa que eu vou todo ano. Mas ele me deixou realmente deprimida: a lembrancinha do aniversário era composta de: uma pastinha cheia de bloquinhos da pucca, borrachinhas coloridas e giz de cera; um pote enorme de jujuba, umas caixinhas fofas embrulhadas que eu-não-sei-o-que-são; e o enfeite de mesa que era um AQUÁRIO com um peixinho.  Mas eeeu, eeeu não tenho nada disso porque eeeu tenho DEZESSETE anos, eu sou velha! Deprimente.

 














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